segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A melhor música de "Os Miseráveis"


Confira o vídeo e a tradução da melhor música do filme "Os Miseráveis" (tudo bem, há controvérsia). É claro que a produção oferece outras belas canções já consagradas, mas foi com essa que eu mais me emocionei. 
Poucas vezes vi (ou ouvi) letra e música combinarem tão bem a serviço de uma mensagem. No final arrebatador do filme, todos nos sentimos irresistivelmente convocados a participar da revolução.



Ouves o povo a cantar?
Cantando a canção dos homens raivosos
Essa é a música de um povo que não será escravo novamente
Quando os batimentos do seu coração ecoam com os batimentos dos tambores
Há uma vida que se iniciará quando chegar o amanhã

Se juntará a nossa cruzada, quem será forte e seguirá comigo?
Além das barricadas há um mundo para ver?
Então una-se a essa guerra que te dará o direito de ser livre

Ouves o povo a cantar?
Cantando a canção dos homens raivosos
Essa é a música de um povo que não será escravo novamente
Quando os batimentos do seu coração ecoam com os batimentos dos tambores
Há uma vida que se iniciará quando chegar o amanhã

Você se entregará por completo para que nossa tropa possa avançar?
Alguns morrerão e outros viverão; você se levantará e agarrará essa chance?
O sangue dos mártires regará os campos da França

Ouves o povo a cantar?
Cantando a canção dos homens raivosos
Essa é a música de um povo que não será escravo novamente
Quando os batimentos do seu coração ecoam com os batimentos dos tambores
Há uma vida que se iniciará quando chegar o amanhã

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Uma vaga lembrança


Minha irmã vive fazendo relatos detalhados de episódios ocorridos em nossa infância em Cascadura, onde moramos por duas décadas, antes de nos mudarmos para Vila Isabel.
Com uma memória prodigiosa, ela se lembra de tudo e de todos, e sempre que somos informados da morte/acidente/doença de um antigo colega, amigo ou vizinho ela desanda a citar fatos e nomes do passado, dos quais não guardo qualquer recordação.
Infelizmente, desde criança, tenho uma memória extremamente seletiva, que teima em só registrar fatos e pessoas diretamente ligadas ao meu cotidiano ou às passagens mais marcantes de minha vida, desprezando solenemente os demais acontecimentos, que eu chamo de periféricos. Eu acho que, em alguma medida, isso acontece com todo mundo, mas comigo o processo parece ser radical, a ponto de me deixar em situações constrangedoras.
Uma delas ocorreu há alguns anos. Por iniciativa própria, consegui reunir quatro amigos que não via há exatos 30 anos. Eram três colegas da Escola Técnica e a irmã de um deles, que todos conheciam bem por causa dos trabalhos de grupo que fazíamos na casa de um e de outro, durante os três anos do curso. Após esse longo período, eu estava ansioso para revê-los, pois guardava (ainda) algumas lembranças daqueles anos dourados do 2º grau.
Inicialmente, foi possível estabelecer um bate-papo agradável sobre os acontecimentos da época. Aos poucos, uma lista infindável de nomes e fatos, alegres ou dramáticos, foram recuperados pelos quatro, sempre enriquecidos por detalhes curiosos e, algumas vezes, picantes a respeito dos protagonistas. O problema é que, a cada vez que me perguntavam - lembra disso ?, aumentava meu constrangimento por não recordar nada daqueles episódios supostamente tão memoráveis. Com o passar do tempo, era cada vez maior a impressão de que estavam diante de um impostor, e não mais do Ecio que todos conheceram um dia.
O fato é que, ao final do encontro, a única coisa da qual eu tinha certeza mesmo era que os conhecia, embora não estivesse mais tão certo de onde ou como exatamente.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

"Os Miseráveis" ganha bela versão cinematográfica


Esse garotinho (Daniel Huttlestone), no papel de Gavroche, aparece por escassos minutos (ou nem isso!) no excelente musical "Os Miseráveis", em cartaz nos cinemas, ao lado de celebridades como Hugh Jackman, Russel Crowe e Helena Bonham Carter. E não faz feio, brindando a todos com uma atuação impressionante para a pouca idade. Pra mim, saiu-se melhor do que Russel Crowe, que deve estar até hoje tentando "encontrar" o personagem. 
As canções são belíssimas, em especial a que encerra o filme (Do You Hear The People Sing?), cantada por todo o elenco, numa performance arrebatadora. Vale o ingresso!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

130 anos de morte de um gênio da música


Ontem, dia 13 de fevereiro de 2013, foi o 130º aniversário de morte de Richard Wagner, compositor que, ao lado de Bach, Mozart e Beethoven, figura entre os maiores de todos os tempos. 
A despeito de sua estupidez ideológica, que o levou a difundir sistematicamente, já no século XIX, o sentimento antissemita, responsável, mais tarde, pela trágica experiência nazista da II Guerra, o compositor desempenhou um papel fundamental na história da música, colocando em prática, dentre outros novos conceitos, um modelo de espetáculo chamado por ele mesmo de Gesamtkunstwerk, ou obra de arte total, que faz uso da associação de diferentes expressões artísticas (música, canto, dança, teatro e artes plásticas) numa única apresentação.
Como ressaltou um grande amigo, também fã do compositor, não se pode ignorar o contexto histórico em que Wagner externou suas ideias racistas, considerando que o antissemitismo era manifesto e francamente tolerado na sociedade alemã do século XIX.
Em minha opinião, porém, nem isso "absolve" o genial compositor de suas ideias equivocadas e destrutivas, embora, obviamente, não seja razoável responsabilizá-lo pelo genocídio cometido pelos nazistas quase 1 século mais tarde.
Uma questão ainda controversa é em que medida as teorias racistas de Wagner terminaram por impregnar os libretos que escreveu para suas óperas. Ideologias à parte, porém, o que conta mesmo é a excelência de suas obras, que atravessam gerações encantando (e extasiando) os amantes da boa música.

                                       

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Maracanã, o estádio de 1 bilhão de reais!!


Todos os dias passo em frente ao Maracanã quando volto do trabalho e sempre penso no custo astronômico das obras da reforma, que deve chegar próximo a 1 bilhão de reais. Admito que há muito tempo venho defendendo a ideia de modernização do estádio, mas nunca a esse preço.
É uma cifra indecente para uma cidade tão carente de infraestrutura. Escolas e hospitais com instalações precárias, esgoto a céu aberto, bueiros explodindo, calçadas esburacadas e transporte público ineficiente integram uma coleção extensa de mazelas que os cariocas enfrentam historicamente com irritante resignação. 
E com tanto por fazer, estamos todos nos preparando para sediar e patrocinar (sim, há muito dinheiro público envolvido) Copa do Mundo e Olimpíadas, as duas festas mais caras do mundo. Pra mim, isso não faz o menor sentido.  


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Steven Spielberg, o legítimo Peter Pan do cinema



Assisti mais uma vez, ontem, a "Cavalo de Guerra", de Steven Spielberg, e não consegui apagar a primeira (e má) impressão que tive com o filme quando assisti no cinema. 
Como já havia comentado anteriormente, tudo muito bem feito e no devido lugar (a fotografia é belíssima!!), o que não surpreende já que o cineasta trabalha sempre com os melhores profissionais, mas a história maniqueísta, sentimental e piegas, repleta de personagens virtuosos (e alguns vilões desalmados), não deixa dúvidas sobre o autor da obra. 
Steven Spielberg, inegavelmente, figura entre os maiores realizadores da indústria cinematográfica. Sob o ponto de vista artístico, porém, é um cineasta que se recusa a crescer, persistindo com a abordagem de temas pueris e melodramáticos. Pode-se dizer que Spielberg, aos 66 anos, é o legítimo Peter Pan do cinema.
Resta saber se "Lincoln", filme com mais indicações ao Oscar deste ano, e que estreou no Brasil na semana passada, nos revela um diretor mais amadurecido e antenado com a realidade. A conferir!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

"Frankenstein", por Patrick Doyle

O vídeo abaixo apresenta a música da cena de criação da noiva de Frankenstein, no filme dirigido por Kenneth Branagh, em 1994. 
A história, já contada mil vezes no cinema (ou quase isso), não acrescenta muita coisa, mas a trilha sonora composta por Patrick Doyle é brilhante. Em tom épico e grandiloquente, o score reforça a narrativa frenética adotada no filme, o que pode ter desagradado a muitos apreciadores do clássico romance de Mary Shelley. Confesso que também não morro de amores pelo filme, mas a música é certamente um dos destaques da produção, sendo representativa da melhor fase da carreira do compositor.


domingo, 27 de janeiro de 2013

Uma visão do mundo perdida no tempo



Já faz algum tempo, assisti num festival de cinema da Caixa Cultural, no Centro do Rio, a uma verdadeira preciosidade da sétima arte, daquelas típicas dos saudosos cineclubes dos anos 60/70, infelizmente desaparecidos com o advento dos vídeos domésticos.
Trata-se do filme "Um Órfão nas Ruas", de Yan Gong e Ming Zhao, produção chinesa rodada em 1948, às vésperas da proclamação da República Popular da China. É uma obra singela, com notória motivação comunista, cuja cópia que assisti já se encontrava em precárias condições.
A história é francamente um pastiche, talvez inspirado em Dickens (Oliver Twist) e no neorrealismo italiano, mas nada disso compromete o prazer singular que oferece, por conter o registro histórico de uma visão do mundo, pueril e maniqueísta, já há muito perdida no tempo. 
Enfim, um raro prazer, não só pelas qualidades da obra, mas também pelas chances mínimas de revê-la.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Fernando Velázquez, uma grata revelação


Fernando Velázquez, compositor espanhol de apenas 36 anos, já tinha me impressionado com o trabalho realizado para o filme "Lope" (2009), uma coprodução Brasil-Espanha dirigida pelo brasileiro Andrucha Waddington, sobre a vida do prolífico e polêmico poeta e dramaturgo Lope de Vega (1562-1635), um dos personagens mais interessantes da história da Espanha.
Responsável pela música do bem-sucedido "O Orfanato", dirigido um pouco antes, em 2007, pelo espanhol Juan Antônio Bayona, Fernando Velázquez vem recebendo justos elogios pela consistência de seus trabalhos, ao demonstrar pleno domínio da linguagem orquestral na construção da narrativa cinematográfica. 
Com "O Impossível", também dirigido por Bayona, o compositor conquistou definitivamente a minha admiração, escrevendo um belo e pungente score musical (vídeo abaixo), que alcança o clímax na sequência de reencontro casual da família, após longos dias de buscas infrutíferas pelo que restou da região atingida pelo tsunami.
Para mim, acostumado a apreciar compositores consagrados em Hollywood, desde ícones do passado como Max Steiner, Victor Young, Bernard Herrman, Franz Waxman e Miklos Rozsa, até contemporâneos como John Williams, James Newton Howard, Alan Silvestri e Howard Shore, é uma gratíssima revelação o surgimento desse jovem compositor espanhol, que certamente sinaliza com uma carreira promissora na indústria cinematográfica. 




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Fazendo justiça à obra-prima de Basil Poledouris



Basil Poledouris, falecido em 2006, não gostou do resultado da gravação original de sua trilha sonora para o filme "Conan, o Bárbaro", de 1982, realizada com uma orquestra italiana de pequenas proporções. 
Para corrigir isso, em 2010, o maestro Nic Raine reuniu coro e orquestra da Filarmônica de Praga, integrada por quase 100 músicos, para produzir uma gravação à altura da grandiosa obra-prima do compositor americano (de origem grega), considerada uma das mais bem-sucedidas do gênero. 
O projeto deu origem a um cd duplo com o score completo de 100 minutos composto por Poledouris, lançado pela Prometheus Records e já raro no mercado (e que faz falta na minha coleção).



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O genial "Amadeus" também em alta definição


Produzir um filme sobre a vida de Wolfgang Amadeus Mozart, um dos maiores gênios musicais de todos os tempos, é um grande desafio para qualquer cineasta, certamente até para Milos Forman, premiado diretor tcheco, responsável por trabalhos aclamados como "Um Estranho no Ninho" e "Valmont".
Os roteiros de filmes desse tipo costumam recorrer a velhos clichês, dando ênfase às dificuldades, de ordem pessoal e profissional, enfrentadas pelo biografado ao longo da vida. No caso de Mozart, a tentação é ainda maior, considerando a morte prematura do músico, aos 35 anos, e a controvérsia a respeito de sua doença.
O competente Forman sabe que um bom filme pode perfeitamente conter clichês, desde que utilizados com a devida parcimônia. A doença de Mozart, seus crônicos problemas econômicos e os conflitos do artista com a esposa e o pai são recursos explorados com bom gosto e extrema sensibilidade pelo cineasta, que não se rende, em nenhum momento, ao sedutor apelo do dramalhão.
Mas as qualidades de "Amadeus", que recebeu os principais prêmios da indústria do cinema, em 1984, incluindo o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme, direção e ator (F. M. Abraham), não se restringem ao bom tratamento dado pelo diretor aos clichês cinematográficos. Milos Forman utiliza como mote a suposta rivalidade entre Mozart e Antônio Salieri, compositor da corte do imperador Joseph II, para nos contar uma deliciosa história de amor, fé, inveja, culpa e mistério, embalada pelas belíssimas músicas do compositor austríaco.
O filme, protagonizado pelo então estreante Tom Hulce e por F. Murray Abraham, nos papéis de Mozart e Salieri, respectivamente, encantou plateias do mundo inteiro, tornando conhecida do grande público a comovente história da vida do músico. 
Por tudo isso, esse foi um dos primeiros títulos que adquiri no formato blu-ray (alta definição), que inclui a versão definitiva do diretor e mais 20 minutos de cenas inéditas, além de extras reveladores sobre as dificuldades encontradas durante as filmagens, realizadas na cidade de Praga (República Tcheca), ainda sob o domínio soviético.
O trailer do filme (vídeo acima) é um dos mais criativos e eficazes já produzidos por Hollywood. Embora o tema tratado seja a vida de Mozart, o apelo lançado pelo trailer atinge um público que não se restringe aos apreciadores de música erudita.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A perda de um "amigo" desconhecido



Curtindo o final das férias, e com o dia chuvoso convidando para ficar em casa, resolvi assistir hoje à tarde, mais uma vez, ao ótimo filme alemão "A Vida dos Outros " (Das Leben der Anderen), ganhador do Oscar de filme estrangeiro de 2007. A história mostra o processo de transformação vivido por um agente da Stasi, polícia secreta da Alemanha Oriental, em 1984, nos estertores do socialismo. Interpretado pelo excelente ator Ulrich Mühe, o policial resolve vigiar todos os passos de um casal formado por uma atriz e um autor teatral (Martina Gedeck e Sebastian Koch), embora ambos sejam considerados cidadãos acima de qualquer suspeita. Implacável defensor do sistema, o personagem vai aos poucos simpatizando com os investigados, a ponto de arriscar seriamente a missão e a própria carreira. Mais não conto para não estragar a surpresa da história para aqueles que ainda não assistiram.
O fato é que a cena final do filme, concluída com um close no rosto do personagem de Mühe, é simplesmente arrebatadora. Lembro muito bem que, ao assistir pela primeira vez, durante os créditos, acompanhados pela belíssima trilha sonora de Gabriel Yared, peguei o jornal para ler a coluna semanal do Arthur Dapieve, do Globo, que comentava sobre a produção e o elenco. Na ocasião, ainda sob o efeito da música de Yared, soltei um sonoro palavrão e fiquei arrasado ao saber que o ator havia falecido apenas alguns meses após a conclusão do filme. É como se estivesse recebendo a notícia da morte de um amigo pelo jornal.
Curioso como o cinema tem esse poder. Aliás, esse é o grande privilégio de atores/atrizes, que colecionam milhares (ou milhões!!) de "amigos" no mundo inteiro, quase todos, claro, completamente desconhecidos. Quando gostamos de um personagem e se estabelece essa poderosa empatia é como se ficássemos íntimos do artista, e a notícia de sua morte, em especial quando acabamos de ver o filme, só pode mesmo provocar essa estranha, mas legítima, sensação de perda. Para o bem ou para o mal, isso também faz parte da magia do cinema.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Marcel Ophuls e o mito da resistência francesa


Para quem se interessa por história, em especial da II Guerra, recomendo o documentário "A tristeza e a piedade", de Marcel Ophuls, produzido em 1969 e recentemente lançado no Brasil em dvd duplo, com alguns extras históricos, incluindo uma longa entrevista com o cineasta. 
A obra faz uma análise profunda, reveladora e sem paralelo do comportamento do povo francês durante a ocupação alemã na II Guerra. E não fica pedra sobre pedra de quase tudo que se diz a respeito da "heroica" resistência francesa no período. 
Realizado originalmente para as TVs da Alemanha e da Suíça, o filme, acusado por parte da sociedade francesa de ser uma obra antipatriótica, esperou longos 12 anos para ser transmitido pela TV do país.


sábado, 5 de janeiro de 2013

"O Milagre dos Nove Dias"



Acabei de rever o filme "Desejo e Reparação", de Joe Wright (o mesmo diretor de "Anna Karenina", que estreia em fevereiro no Brasil), adaptação bem-sucedida do belíssimo romance "Reparação", de Ian McEwan. E voltei a me emocionar com a triste, singular e surpreendente história de redenção da personagem Briony Tallis, em sua tentativa de reparar um terrível mal cometido aos 13 anos, com graves consequências para duas pessoas que amava.
Mais uma vez fiquei impressionado com a cena (ou plano-sequência) de apenas 5 minutos, sem cortes, que mostra o esforço desesperado dos aliados para retirar franceses e ingleses da praia de Dunquerque, na França. A cena do filme é, certamente, uma bela homenagem aos homens que escaparam do cerco dos alemães, no episódio da II Guerra Mundial que passou a ser conhecido como "O Milagre dos Nove Dias", curto período em que quase 400 mil soldados, entre os quais 150 mil franceses, lograram cruzar o Canal da Mancha, a maioria em condições precárias após intensos combates no litoral norte da França. Na ocasião, a fuga era a única alternativa para os soldados, que seriam facilmente dominados e mortos pelos alemães, tal a disparidade de forças na região e o estado de esgotamento e desespero em que se encontravam.
Após pesquisar na internet, descobri que essa retirada de combatentes, muitos gravemente feridos, acabou se constituindo numa estratégia vitoriosa, em razão da quantidade de vidas salvas. Até hoje, especula-se sobre o motivo pelo qual os alemães não chegaram a tempo para frustrar a operação.
Certamente, a beleza da sequência no filme tem muito a ver com o simbolismo daqueles acontecimentos, tratados pelo diretor com a devida reverência e profunda sensibilidade. Talvez inspirado por tudo isso, também o compositor Dario Marianelli (parceiro do diretor em "Orgulho e Preconceito" e mais recentemente em "Anna Karenina") nos brinda com uma música comovente para a cena, a qual funciona como uma verdadeira elegia aos homens que participaram daquele episódio. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

"Anna Karenina": nova adaptação para o cinema estreia em março no Brasil

A mais nova adaptação de "Anna Karenina", obra-prima do escritor russo Leo Tolstoi, tem estreia prevista para 15 de março nos cinemas brasileiros. 
Dirigido pelo inglês Joe Wright, o mesmo de "Orgulho e Preconceito" e "Desejo e Reparação", e protagonizado por Keira Knightley, Jude Law e Aaron Taylor-Johnson (no papel do jovem amante), o filme, como seria previsível, apresenta suntuosa reconstituição de época (séc. XVIII), mas não parece ir muito além disso. 
A julgar pela carreira da produção no exterior (esnobada pelo Globo de Ouro e pelo Oscar, onde ganhou apenas na categoria figurino), somente a trilha sonora, composta pelo italiano Dario Marianelli, é digna de destaque, por enfatizar muito bem a atmosfera aristocrática da história, sem, contudo, desprezar a força dramática e intimista contida na trama e, claro, no próprio romance (desafio às rígidas convenções sociais, amor "impossível", traição etc).
O visual deslumbrante do filme pode ser conferido no trailer abaixo:


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"O Impossível", um drama contundente e bem realizado (mas desaconselhável para os mais sensíveis)

Assisti no cinema hoje à tarde ao filme "O Impossível", que mostra a destruição provocada pelo tsunami que atingiu a costa da Tailândia em dezembro de 2004, sob o ponto de vista de integrantes de uma família inglesa vítima da tragédia. 
O filme, baseado na experiência real vivida por uma família espanhola (casal e três meninos), é um drama contundente que não poupa o espectador de momentos de profunda angústia e tensão, por mostrar o sofrimento físico e emocional infligido a uma família comum diante de um desastre de grandes proporções. 
Dirigida pelo espanhol Juan Antonio Bayona e estrelada por Naomi Watts e Ewan McGregor, a produção é artística e tecnicamente bem realizada, mas não recomendada aos mais sensíveis, por conter cenas de forte impacto emocional envolvendo crianças.  
O vídeo abaixo apresenta imagens da gravação da bonita e pungente trilha sonora composta pelo jovem Fernando Velázquez (36 anos) para a produção, mescladas com fotos do filme. 


A seguir, o trailer oficial do filme.


Entrevista com Tom Holland, jovem ator de 14 anos que fez o papel de Lucas, filho mais velho do casal interpretado por Naomi Watts/Ewan McGregor e verdadeiro protagonista do filme.


E aqui, um vídeo que mostra a criação do tsunami com o auxílio dos efeitos especiais. Parece simples, mas funcionou perfeitamente no filme.


"Lassie" (2005), a magia da música no cinema



Essa é apenas mais uma das "trocentas" versões de Lassie para o cinema, mas a trilha sonora composta por Adrian Johnston é belíssima. Se há músicas que conferem qualidade e nobreza a um filme, aqui está um exemplo clássico. No vídeo acima, 59 segundos que sintetizam perfeitamente a magia da música no cinema.

"Coração de Dragão", a obra-prima de Randy Edelman


Com a cidade de ressaca e o dia completamente livre, aproveitei esse feriado de 1º de janeiro para ouvir música, em especial trilhas sonoras de cinema. Entre tantos cds de minha extensa coleção (aprox. 600), escolhi obras de compositores menos consagrados, tentando encontrar algo já esquecido e que me surpreendesse novamente nesse universo maravilhoso que é a música para filmes.
Como recompensa, após um exaustivo exercício de garimpagem, resgatei do fundo do baú a bela trilha sonora de "Coração de Dragão" (1996), que acabei ouvindo várias vezes.
É curioso como alguns compositores apenas medianos surgem, às vezes, com trabalhos encantadores e convincentes, capazes até de nos fazer suspeitar de sua real autoria (que maldade!). Na verdade, a composição está longe de ser perfeita ou genial. Trata-se basicamente de variações sobre poucos temas, como costuma ocorrer no cinema, mas podemos considerá-la a obra-prima de Randy Edelman, figurando, sem favor algum, entre as melhores trilhas sonoras dos últimos vinte anos. Destaco o alto grau de lirismo de suas melodias, que é arrebatador e nos remete imediatamente à infância, ou pelo menos a um período de nossas vidas em que ainda nos permitíamos todas as ilusões.
Uma pequena amostra pode ser conferida no vídeo abaixo.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Clássico dos clássicos também em alta definição!



Poucos filmes povoaram tanto o imaginário popular no século XX como "E o Vento Levou", agora também disponível em alta definição (blu-ray). Baseado no romance homônimo de Margaret Mitchell, que vendeu, em 1936, mais de 1 milhão de exemplares em apenas 4 meses (um fenômeno de vendas ainda hoje), o filme da MGM, lançado em 1939, retrata a saga de uma rica família de imigrantes irlandeses na Geórgia, no período da guerra civil americana. 
O lendário produtor David O. Selznick não poupou recursos e investiu mais de 5 milhões de dólares, uma verdadeira fortuna para os padrões da época, transformando a produção num evento sem precedentes para a jovem indústria cinematográfica de Hollywood. 
A escolha da inglesa Vivien Leigh para o papel de Scarlett O'Hara, que só ocorreu após o início das fimagens, envolveu uma acirrada disputa, da qual participaram mais de 1400 atrizes, algumas delas já consagradas como Bette Davis, Joan Crawford e Paulette Godard.
Max Steiner, compositor austríaco de sólida formação erudita, responsável pelas músicas de "Casablanca", "King Kong" (1933) e "Nasce Uma Estrela", dentre outras, compôs para "E o Vento Levou" uma trilha sonora verdadeiramente antológica, que se tornaria o mais importante ícone da música para o cinema, em todo o século XX. 
A direção do filme foi creditada a Victor Fleming, mas contou com a participação de pelo menos mais 4 diretores, que não aparecem nos créditos. Do mesmo modo, o roteiro, apesar de oficialmente atribuído apenas a Sidney Howard, teve a colaboração dos escritores F. Scott Fitzgerald e William Faulkner, e da própria autora do romance, Margaret Mitchell.
Embora tenha adquirido o status de clássico, justamente pelos padrões de excelência que estabeleceu na indústria, "E o Vento Levou", como boa parte dos filmes da época de ouro de Hollywood, perdeu um pouco de seu encanto com o passar do tempo. Recheado de clichês já exaustivamente explorados por produções posteriores, o filme não dispõe hoje do mesmo poder de sedução e encantamento que exerceu sobre o público do passado. Inegavelmente, porém, por tudo que representa para a história do cinema, "E o Vento Levou" ocupa lugar de destaque na galeria dos maiores filmes de todos os tempos.  

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Jerry Goldsmith e o clímax no cinema


Já citei Jerry Goldsmith aqui algumas vezes, mas não me canso de destacar a genialidade de um compositor de trilhas sonoras que foi responsável, ao lado de John Williams, por muitos momentos inesquecíveis que o cinema me proporcionou em tantos anos. 
O fato é que Goldsmith, falecido em 2004, dominava como poucos (ou pouquíssimos) a arte de valorizar, com música, os momentos mais dramáticos de uma história, como podemos constatar no vídeo abaixo, que mostra a cena final do filme "Momentos Decisivos" (1986). 
É um belo exemplo da valiosa contribuição da trilha sonora para o enriquecimento da narrativa cinematográfica.