sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Brasil, um país do futuro?

"Zweig errou ou foi o Brasil que escolheu o modelo errado?" - Alberto Dines

Em tempo de grandes turbulências políticas (e também pessimismo), vale a pena ler "Brasil, um país do futuro", de Stefan Zweig, intelectual austríaco de sólida formação humanista que se deslumbrou com o Brasil em sua primeira visita, na década de 1930. Ainda encantado com o país, mas profundamente desiludido com o futuro da Europa e do mundo, o escritor tirou a própria vida na noite de 22 de fevereiro de 1942 (coincidentemente, como nesse ano, o primeiro domingo após o carnaval), em Petrópolis, onde passou seus últimos cinco meses ao lado da esposa "Lotte", com quem consumou um pacto de morte.
Nascido numa família judia abastada, Zweig não suportou o desmoronamento do mundo que o abrigava confortavelmente em sua Viena e Áustria natal. Certamente foi uma das incontáveis vítimas fatais da barbárie que se instalou na Europa durante a II Guerra.
Sobre o livro, o fato é que jamais nosso país fora descrito de maneira tão favorável (e até ufanista!) como vemos na Introdução no livro de Stefan Zweig. Nem antes nem mesmo depois da primeira visita do escritor austríaco ao Brasil, em 1936.
Embora encontremos ali muitas de nossas reconhecidas qualidades, dentre elas as riquezas naturais e o convívio relativamente pacífico entre diversas nacionalidades e etnias, infelizmente, estamos longe de corresponder à gentil descrição que Zweig fez da gente e da nação brasileiras. Se vivo ainda fosse, o escritor, por certo, se envergonharia de ver o "oceano" de oportunidades que desperdiçamos nesses quase 100 anos para fazer desse país um reflexo, ainda que tímido, de tudo que ele generosamente vislumbrou.



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